Ofertas da Net

Emprego em Portugal
Home arrow Blog arrow Mais lenha para a fogueira da subsídio dependência
Mais lenha para a fogueira da subsídio dependência Imprimir EMail
15 Janeiro 2010

Hoje foi anunciada mais uma medida para combater o desemprego. Segundo o diário económico:

"Desempregados sem subsídio vão ter direito a estágios pagos"

Esta medida destina-se a apoiar os desempregados com mais de 35 anos, que não estejam a receber subsídios, e as empresas que supostamente contratem o estagiário no final do período.

As entidades com fins lucrativos serão apoiadas com 60% da remuneração (chamada bolsa de formação) por cada estagiário, enquanto as entidades sem fins lucrativos receberão 75%.

Para além deste apoio significativo, as entidades que contratem sem termo os estagiários receberão 2500 euros por "cabeça" mais a isenção de contribuições para a segurança social durante dois anos, ou poderão optar pela isenção durante três anos.

Esta medida trará (verdadeiro) impacto ao mercado de trabalho?

Como (quase) ex-estagiário profissional licenciado, a minha visão sobre os estágios é que são um mais um embuste do nosso país subsídio-dependente. Eis algumas considerações:

- As empresas absorvem recursos humanos a custos reduzidos e após o período de estágio "dispensam-nos" com facilidade (qual controlo, qual quê!) substituindo-os por outros estagiários;

- Cria-se uma sensação nacional de diminuição do desemprego, quando na verdade temos um conjunto de estagiários que foram admitidos, não pela sua competência e necessidades da empresa, mas sim pelos pacotes de apoio (leia-se muito dinheiro) concedidos;

- O estagiário esforça-se para manter o lugar após o estágio, mas a maioria descobre, no final do mesmo, que a entidade não tem capacidade para o manter - pelo menos sem andar de "cavalo para burro" em termos de remuneração.

A curto-prazo esta medida trará um impacto positivo? Sim. Em momentos dificeis, medidas radicais são bem-vindas.

Contudo, a médio-prazo, uma vez que estes estágios se propagam, na realidade, por vários meses (admite-se à experiência, metem-se os papéis, espera-se, passam meia dúzia de meses e finalmente começa o estágio) estamos a adiar a solução dos problemas nacionais relacionados com o mercado de trabalho. E como se propagam por vários anos, os actuais responsáveis pela medida, provavelmente já não estarão no mesmo cargo para apresentar resultados e demonstrar que a medida deu resultados*. E surgirão "novos responsáveis", lá para 2013/14, a criar uma medida que apoia estágios para jovens com mais de 40 anos... se ainda houver dinheiro para criar tais pacotes de apoio!

A quem estiver numa situação de desemprego e reunir as condições necessárias para aproveitar esta oportunidade: agarre-se a ela de unhas e dentes.

Mas não se esqueçam de que não é mais do que um empurrão. Façam os possíveis para seleccionar acertadamente a entidade, na medida do possível, e continuem à procura do emprego que realmente vos quer pela vossa competência, e a lutar por outras alternativas de rendimento: criar emprego próprio, criar própria empresa, estudar, aprender e nunca cair numa zona de conforto.

* Talvez existam dados (nunca procurei...) mas alguém saberá, com algum grau de certeza, qual a percentagem de estagiários profissionais que realmente ficaram nas empresas? E já agora: Qual a percentagem daqueles que terminaram o estágio, lhes foi apresentada uma proposta de remuneração muito inferior, e foram SUBSTITUÍDOS, SUBTILMENTE, POR OUTROS ESTAGIÁRIOS?!

Comentários
Adicionar novo Busca
Luís Serra   |85.243.108.xxx |2010-01-25 05:07:30
Sim eu já realizei três estágios! E não fiquei em nenhum deles, posso dizer
que é verdade que existem muitas empresas a trabalhar e a funcionar à custa
dos estágiários. No meu primeiro estágio em 2004 estive numa empresa de
publicidade em Lisboa, durante 3 meses, não me pagaram nada de nada, trabalhei
num MAC que demorava 15 min a arrancar e mais 10 para arrancar com o Photoshop!!
Depois estagiei numa empresa de webdesign durante 5 meses em Sacavém, onde já
recebia um subsídio do curso que realizei (CET) durante 3 meses e depois a
empresa passou-me a pagar as refeições e passe social. Tinha razoáveis
condições de trabalho, o problema é que estava a estagiar numa divisão de
uma casa onde moravam os pais da pessoa empregadora e que desconfiavam dos
estagiários! Num terceiro estágio que realizei numa WebTv, onde me pagavam as
refeições, mas os tratamento era um pouco abusivo. Continuo a enviar CV's a ir
Escrever um comentário
Nome:
E-mail:
 
Website:
Título:
UBBCode:
[b] [i] [u] [url] [quote] [code] [img] 
 
 
:angry::0:confused::cheer:B):evil::silly::dry::lol::kiss::D:pinch:
:(:shock::X:side::):P:unsure::woohoo::huh::whistle:;):s
:!::?::idea::arrow:
 
Por favor coloque o código anti-spam que você lê na imagem.

3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."

 
< anterior   Seguinte >

Sondagem

Quais são as suas habilitações académicas?