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Hoje foi anunciada mais uma medida para combater o desemprego. Segundo o diário económico: "Desempregados sem subsídio vão ter direito a estágios pagos" Esta medida destina-se a apoiar os desempregados com mais de 35 anos, que não estejam a receber subsídios, e as empresas que supostamente contratem o estagiário no final do período. As entidades com fins lucrativos serão apoiadas com 60% da remuneração (chamada bolsa de formação) por cada estagiário, enquanto as entidades sem fins lucrativos receberão 75%. Para além deste apoio significativo, as entidades que contratem sem termo os estagiários receberão 2500 euros por "cabeça" mais a isenção de contribuições para a segurança social durante dois anos, ou poderão optar pela isenção durante três anos. Esta medida trará (verdadeiro) impacto ao mercado de trabalho?
Como (quase) ex-estagiário profissional licenciado, a minha visão sobre os estágios é que são um mais um embuste do nosso país subsídio-dependente. Eis algumas considerações: - As empresas absorvem recursos humanos a custos reduzidos e após o período de estágio "dispensam-nos" com facilidade (qual controlo, qual quê!) substituindo-os por outros estagiários; - Cria-se uma sensação nacional de diminuição do desemprego, quando na verdade temos um conjunto de estagiários que foram admitidos, não pela sua competência e necessidades da empresa, mas sim pelos pacotes de apoio (leia-se muito dinheiro) concedidos; - O estagiário esforça-se para manter o lugar após o estágio, mas a maioria descobre, no final do mesmo, que a entidade não tem capacidade para o manter - pelo menos sem andar de "cavalo para burro" em termos de remuneração. A curto-prazo esta medida trará um impacto positivo? Sim. Em momentos dificeis, medidas radicais são bem-vindas. Contudo, a médio-prazo, uma vez que estes estágios se propagam, na realidade, por vários meses (admite-se à experiência, metem-se os papéis, espera-se, passam meia dúzia de meses e finalmente começa o estágio) estamos a adiar a solução dos problemas nacionais relacionados com o mercado de trabalho. E como se propagam por vários anos, os actuais responsáveis pela medida, provavelmente já não estarão no mesmo cargo para apresentar resultados e demonstrar que a medida deu resultados*. E surgirão "novos responsáveis", lá para 2013/14, a criar uma medida que apoia estágios para jovens com mais de 40 anos... se ainda houver dinheiro para criar tais pacotes de apoio! A quem estiver numa situação de desemprego e reunir as condições necessárias para aproveitar esta oportunidade: agarre-se a ela de unhas e dentes. Mas não se esqueçam de que não é mais do que um empurrão. Façam os possíveis para seleccionar acertadamente a entidade, na medida do possível, e continuem à procura do emprego que realmente vos quer pela vossa competência, e a lutar por outras alternativas de rendimento: criar emprego próprio, criar própria empresa, estudar, aprender e nunca cair numa zona de conforto. * Talvez existam dados (nunca procurei...) mas alguém saberá, com algum grau de certeza, qual a percentagem de estagiários profissionais que realmente ficaram nas empresas? E já agora: Qual a percentagem daqueles que terminaram o estágio, lhes foi apresentada uma proposta de remuneração muito inferior, e foram SUBSTITUÍDOS, SUBTILMENTE, POR OUTROS ESTAGIÁRIOS?!
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