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Eis algumas questões que todos os cidadãos activos devem colocar: Existe um Mercado de Emprego ou um Mercado de Trabalho?
Em termos económicos o mercado é o conjunto da oferta e da procura relativa a um bem, serviço ou capital, ou ao conjunto de todos eles (priberam.pt). Sendo assim, faz sentido falar de mercado de emprego? O emprego é um bem, um serviço ou capital? DUPLAMENTE NÃO!
FALAR DE MERCADO DE EMPREGO É ERRADO!
Não é o emprego que está em causa na relação Empregador / Empregado, mas sim o trabalho. O trabalho é aquilo que o trabalhador tem para oferecer em troca de uma remuneração. O trabalho, este sim, pode ser visto como um serviço, e por isso deve-se falar de MERCADO DE TRABALHO.
À partida esta definição de conceitos pode não trazer diferenças à forma de encarar o MERCADO. No entanto, se pensarmos bem, as diferenças existem e podem revelar uma perspectiva totalmente diferente.
Quando falamos de emprego estamos a falar de uma posição ou função numa determinada estrutura, mais ou menos hierárquica (empresa / entidade empregadora), ocupada por um indivíduo (trabalhador / empregado).
As empresas NÃO OFERECEM emprego. As empresas PROCURAM trabalho / força de trabalho / mão-de-obra.
O trabalhador NÃO PROCURA emprego. O trabalhador OFERECE a sua força de trabalho.
O que está em causa não é o emprego pois as empresas não oferecem emprego em troca do trabalho, mas sim, procuram (força de) trabalho em troca de uma remuneração paga ao trabalhador.
Esta perspectiva (muito mais adequada) coloca o trabalhador noutra posição. É o trabalhador que tem algo para oferecer (o seu trabalho, o seu conhecimento, a sua habilidade, etc) em troca de uma remuneração.
Implicações positivas desta perspectiva:
- O trabalhador irá sentir-se mais valorizado pois é ele que se coloca na pele de quem tem algo para oferecer / vender em troca de dinheiro; - O trabalhador irá verificar a médio prazo que tem de olhar para a entidade empregadora como um cliente dos seus serviços / trabalho e não unicamente como um patrão. - Ao absorver esta perspectiva, o trabalhador irá estar mais atento ao mercado. O trabalhador irá abrir os seus olhos para novas oportunidades: Será que consigo ser melhor remunerado pelo meu trabalho? Será que há mais entidades a quem eu possa OFERECER o meu TRABALHO e receber mais por isso? - O trabalhador aumentará o seu poder de negociação perante o seu cliente / patrão.
Mas...
De nada vale, e será com certeza prejudicial, chegar às entrevistas de emprego todo(a) convencido(a) e dizer que afinal "Não estou à procura de emprego. Proponho antes oferecer a minha força de trabalho em troca de uma remuneração".
Esta perspectiva deve funcionar no subconsciente e levar cada cidadão (pró) activo, e com interesse em crescer na sua (ou noutra) área de actividade, a pensar em si como uma fonte de recursos e conhecimentos que podem ser oferecidos em troca de uma remuneração.
Todos os outros cidadãos (RE) activos que apenas pretendem um “emprego” e a tal “ilusão de estabilidade”, provavelmente deverão continuar a pensar em Mercado de Emprego.
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